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23 Novembro, 2009
O PRIMEIRO DIA
O PRIMEIRO DIA
06/10/2003, retomado em 19/02/2008, Santa Cruz do Sul.
Fragmento do diário (anotação em papel avulso) da Vó Jandira do dia 21/07/1936.
Percebi que mamãe não estava acordada. Ela dormia cedo. Tinha mania de se deitar antes da noite cair, e ficava na cama até alguém chamá-la. Não gostava do dia. Preferia dormir.
Já passavam das onze e resolvi não acordá-la para o almoço. Nunca tinha fome mesmo. Sentava-se à mesa e não comia. Ficava meio sonolenta, vendo eu e os meninos comermos.
Naquela manhã Carlinhos teve diarréia. Não foi à escola. Somente Milton estava disposto. Enquanto um gritava no banheiro, o outro cavalgava pelos corredores com seu cavalo de pau. A cozinha ainda estava fria, e o forno à lenha demorou a esquentar o cômodo. Quando saí com Miltinho para leva-lo a escola, pude notar Carlos arrastando-se para o quatro de mamãe. Ele estava realmente mal. Não sei o que era. Alguma virose, quem sabe. Comida estragada não. Miltinho estava bem.
A parada de ônibus ficava a dois quarteirões de nossa casa, na direção da ferrovia. Chacarrara não era muito além do que uma vila com algumas centenas de pessoas. Dois quarteirões consistiam em toda a extensão do centro da cidade. Havia dois anos que se emancipara de São Pedro de Santa Cruz, e as pessoas ainda não haviam se habituado com esta nova condição do lugarejo. Coloquei Miltinho no ônibus e voltei pra casa. Pude notar os olhos do motorista na direção das minhas pernas. Ele sempre fazia isso. Não importasse o tamanho da saia. Ele sempre olhava. Depois sorria e arrancava a condução. Eu nunca demonstrei notar alguma coisa. Baixava os olhos e saía.
Nossa casa era pequena. Da sala podia controlar o almoço, pelo cheiro e o barulho da fervura. Quando Miltinho chegou, sem camisa e todo embarrado, me senti mais tranqüila. E ele foi logo incomodar o irmão, fazendo com que mamãe acordasse. Ficou sentada na cama por alguns minutos. Parecia não se importar com a algazarra dos meninos. Da porta podia notar sua indiferença. Os dois pulavam, gritavam, caíam por cima dela e nada. Mamãe se mantinha imóvel, concentrada no nada, com os olhos mirando o piso de parquê em mosaico.
Até mamãe levantar e se aprontar levava algum tempo. Com isso conseguia acalmar os meninos e colocá-los à mesa. Sentávamos quietos enquanto mamãe não vinha. Os dois ficavam se provocando, com chutes por debaixo da mesa. Mas naquele dia não houve muito conflito. Carlinhos estava mal e não tinha forças para enfrentar o irmão.
Almoçávamos quase sempre em silêncio. Eu servia à todos, começando por mamãe. Ela demorava a voltar ao mundo. Só daí começava a comer. E olhava atentamente para nós. Ás vezes sorria.
Meu pai morrera no dia do aniversário de dois anos de Carlinhos. Era um domingo e toda a família estava reunida aqui em casa. No pátio tínhamos uma pequena churrasqueira de latão, suficiente para tio Mário fazer seu assado.
Papai demorava a chegar, coisa muito comum num domingo. Mamãe era a única aflita. Mesmo sabendo das noites boemias de papai, sentia que algo havia. Era aniversário do caçula, e ele não se atrasaria.
Nos cantos as velhas fofoqueiras da família comentavam. Normal, elas sempre faziam isso quando iam lá em casa. Falavam das noites nos bordéis de papai e do eterno sofrimento de mamãe. Mas ela parecia não ligar, pois sempre fazia questão de reunir a família em datas festivas. Mesmo com apenas sete anos lembro muito bem deste dias. Ás vezes até enxergo no pátio de casa crianças correndo, velhos bebendo e senhoras faladeiras com seus tricôs.
Tio Mário recém tinha colocado o primeiro espeto no fogo quando tocou a campainha. Mamãe correu. Era o delegado. Papai estava morto. Fora esfaqueado na saída dum bordel na vila Conceição. Mamãe quis ver o corpo, e foi com o delegado até a delegacia pois na cidade não havia necrotério.
Chegando lá, pode ver a china que estava com o papai. Já da rua ouvia sua choradeira. Mas quando viu mamãe parou de chorar. Ficou séria, em silêncio. Mamãe não fez nada. Olhou para a moça e seguiu em frente.
− Duas facadas, senhora. Não tinha o que fazer − disse cuidadosamente o delegado diante do corpo de meu pai. Mamãe passou as mãos nas feridas, acariciou os longos cabelos do marido e pediu um padre. Não mais falou sobre o assunto naquele dia. Somente chamou algumas enfermeiras para lavarem e vestirem o corpo. Tio Beto preparou o velório e o enterro, marcado para manhã do dia seguinte.
Mamãe voltou para casa. Todos estavam mudos. As velhas fofoqueiras tinham nas mãos agora o terço, e tio Mário estava nitidamente bêbado. Alguns vizinhos já tinham chegado. Eu estava trancada junto com os meninos no quarto dos fundos. Mas espiava pela janela. Pude ver quando mamãe ordenou que tio Mário curasse imediatamente a borracheira e colocasse a carne no fogo. Estava na saída da porta que dava para o pátio, acima dos degraus. Tinha as mãos na cintura e já vestia luto. Depois mandou nos buscar.
Tio Mário prontamente atendeu a ordem. Logo todos comeram. Depois mamãe serviu os doces e no final da tarde cantamos os parabéns. Serviu-se o chá e lá pelas seis horas as pessoas começaram a se despedir. Davam um até logo seguido de meus pêsames. Mamãe somente agradecia. Os meninos pareciam não entender nada. Passaram a tarde toda brincando com os outros garotos. Nem quando algum velho mais borracho, meio emocionado, agarrava-os pelo braço a dar conselhos não entendiam. Soltavam-se e começavam a brincar. Na verdade até eu não tinha certeza do que estava acontecendo. Somente à noite fui realmente entender e chorar. Durante o aniversário, mamãe não transmitiu nenhum sentimento que delatasse sua perda para nós. Tudo o que eu sabia era o que tinha visto de longe, e imaginado ter escutado. Tinha ouvido sobre facada, morte e papai. Mas não tinha certeza. Queria mais era comer o bolo do que ficar pensando em desgraça.
Mamãe se manteve firme durante todo o tempo. Só depois que todos foram embora, inclusive tio Mário que dormia bêbado embaixo do pessegueiro, nos falou. Disse duma forma carinhosa pois éramos muito jovens. Nem sei se eu entenderia se ela contasse exatamente o que acontecera. Miltinho tinha cinco anos, e Carlinhos estava fazendo dois. Lembro que somente eu chorei. Mamãe me abraçou e depois nos colocou no banho. Velamos o pai a noite toda. Eu e os meninos dormimos a maior parte do tempo, mas lembro de ver mamãe sempre acordada ao lado do caixão. Só não me recordo de vê-la chorar. Não na frente dos outros.
Após o enterro tudo mudou. Quando chegamos em casa o mundo acabou para ela. Trancou-se no quarto e ficou lá até o dia seguinte. Gritava o nome de papai. E chorava soluçando baixinho. Mamãe nunca mais foi a mesma, e parece estar lá trancada até hoje. Naquele dia não jantamos, e ela só saiu ás onze horas do dia anterior. Pegou as panelas, o óleo e me chamou na cozinha para me ensinar a cozinhar.
Depois do almoço os meninos dormiam. Mamãe ia para a varanda e ficava na cadeira de balanço ouvindo rádio. Eu lavava os pratos, guardava os restos e depois me sentava na janela para ver o movimento. Era difícil ver muita coisa além do costumeiro. As lojas só abriam após as duas, e não eram muitas. Normalmente recebia uma boa tarde do carteiro, que partia de mula naquela hora para o interior; do padre Eucléssio, que ia tomar café com nosso jovem prefeito, e da dona Maria, a louca do banco da praça. Na verdade ela não me dava “boa-tarde”. Apenas baixava a copa de seu chapéu de palha do outro lado da praça. Mas seu sorriso dizia tudo. E eu abanava, cordialmente.
Levávamos uma vida bastante calma. Não fosse a agitação dos meninos, seria tediosa. A cidade também não nos proporcionava muitas opções de divertimento. Fora as festas religiosas, nada havia para fazer. E eu nem tinha roupa apropriada para festas. Apenas um vestido branco de meus quinze anos que todo ano era ajustado para que coubesse nos jantares de natal e ano novo.
Eu não tinha aspiração alguma de futuro. Queria só cuidar de mamãe e educar os meninos. Depois, sei lá. O destino que leve. Pensar em casamento soava até como deboche. As velhas da família, já viúvas, riam da minha infelicidade. Na verdade eu e os meninos éramos os últimos da família. Tio Beto e tio Mário não casaram. Somente mamãe colaborou para manter o nome dos Oliveira. Papai, que pertencia a família dos Partidor, não teve irmãos. Seu pai também não e que eu saiba foram sempre filhos únicos. A família de mamãe também. Eram de fazer poucos filhos. No máximo três. Só que os pais de mamãe eram filhos únicos. Isso não era comum para a época. Mas minha família de comum não tinha nada.
No fim do dia dezenove do mês de julho de mil novecentos e trinta e seis senti-me muito cansada. Havia lavado roupa toda tarde. E os meninos colaboraram para meu desgaste. Mamãe dormiu no sofá, e um pouco antes das seis a havia colocado na cama.
Lembro-me de ir para a janela da varanda para ver o luar. A noite estava fresca, apesar da época. Não fazia frio, e uma brisa agradável invadia a sala. Sentia também o cheiro saboroso de polentas no forno. Era dona Matilde, nossa vizinha de frente, que sempre as preparava para o marido vender na feira em São Pedro de Santa Cruz.
Na praça, dona Maria dormia sentada. Coitada, dormia sempre assim. Era uma noite silenciosa. Pude me acomodar tranqüilamente num canto da janela. Levantei a saia até a altura dos joelhos e fechei os olhos. Sonhei com papai. Estava em seu colo. Nos embalávamos na cadeira de balanço de mamãe e ele cantava para mim. Podia ver claramente seus grandes olhos verdes. Na boca, tinha um palito que ia de um lado ao outro. Parecia marcar a canção, e o bigode estava manchado de graxa de carne mal-passada. Quiçá do churrasco que nunca comeu.
Acordei com um assovio distante. Vinha na minha direção. Não reconheci a música.
Cada vez ela ficava mais presente e logo o vi. Ele vinha pela calçada do outro lado da rua. Arrastava as chinelas no ritmo da melodia. Estava com uma larga bombacha negra e camisa branca aberta até metade do peito. De boina grande e negra atirada para o lado, caminhava como quem passeia, olhando para os lados, mas sem ligar para muita coisa.
Acompanhei seu caminho com os olhos. Mas sem me virar. Não queria que visse que me despertara atenção. Vi quando cruzou e cumprimentou dona Maria, que acordou assustada. Pude ouvir claramente sua gaitada debochada. Eu ri também. Não consegui me conter. Era engraçado alguém se assustar daquela forma. E ele viu, e veio na minha direção. Atravessou a rua com os olhos fixos em mim. Não sabia o que fazer. Seus olhos correram por minhas pernas. Lembrei do motorista do ônibus dos meninos. Senti nojo. Então baixei rapidamente minha saia até as canelas. E fiquei segurando. A saia espichou-se. Ele riu novamente. Mas eu não. Desci correndo da janela para fecha-la. Estava com raiva daquele estranho agauchado. Porque ria tanto?
− Calma, senhorita, não vou lhe fazer mal − falou com a mão estendida na minha direção. Devia ter fechado a janela. Não sei porque me contive. Olhei para dentro e vi que estava sozinha. A rua também estava vazia. Éramos somente os dois.
− Quem é o Senhor? − perguntei segurando com as mãos as persianas. Fiz questão de mostrar-me séria. O que iria pensar aquele estranho de mim? Sentada na janela àquela hora com a saia a meia perna? E dando conversa para um qualquer?
− Fale logo, tenho que ir dormir. Deseja alguma coisa? −
Ele seguiu com um sorriso debochado. E vinha na minha direção. Comportava-se como amigo íntimo, sem cerimônia alguma.
− Uma informação, querida − disse sem perder a pose.
Ora querida. Senti nojo novamente. Mas ele seguiu falando.
− Por gentileza, poderia me dizer onde posso encontrar o prefeito?
Nesta hora já estava encostado na parede lateral da janela. Do bolso tirou uma palha, e começou a alisá-la. Fumava o grosso.
− Se não estiver em casa veja na igreja. Ele e o padre costumam jantar juntos às terças.
− Era o que faltava − completou rapidamente o estranho logo que concluí.
− Faltava o quê? −
− Faltava eu ter que ir na igreja a esta hora.
E sabe lá que horas uma criatura como aquela costuma ir?
− Não que eu costume freqüentar a casa de Deus, senhorita, mas sabe como é, não convém acordar as santidades que já devem é estar dormindo em seus palanques.
Ele falou isso e se benzeu o debochado. Ora.
− Bem, vou indo. Gracias querida.
Querida? Fechei a janela na cara dele. Assanhado. Mas ele riu. Tenho certeza, eu escutei. E depois saiu arrastando as chinelas e assoviando sua marchinha.
Fui pra cama que já era hora. Deitei tentando não pensar nele, e concentrei minha cabeça no dia que viria. Tentei não lembrar de seu assovio, mas logo me veio os bailinhos de carnaval a tarde no clube. Dos confetes, das serpentinas. Do barulho alto dos trompetes. Nem sei porque lembrei disso. Quase nunca eu ia e quase nunca tinha bailinho. E eu não me lembro de me divertir.
Trovejou logo que fechei os olhos. Preciso comprar galochas novas para os meninos. Meu Deus, como eles cresceram.
OKIDOKI
D.G.M.
23.11.09
16 Novembro, 2009
ENTRECOT COM CAMARÃO NÃO COMBINA
Entendam que faço esta afirmação com total capacidade de prova-la, com argumentações (que virão a seguir) e no exercício completo de minhas faculdades mentais (sempre quis usar este termo; via em filmes e achava o máximo).
Minha descoberta se deu há três semanas, quando quase arranquei uma língua fora. No caso, a minha própria língua. É verdade que estava dormindo mas, como todos sabem, é na noite que os vampiros atacam, quando há pouca luz e as vítimas dormem um sono profundo. Portanto, eu era a vítima perfeita.
Esta história começou há muito tempo, e seus atos são seguidos de outras manifestações fantasmagóricas, diversas atividades ligadas a magia-negra, e a uma mulher (sempre tem mulher no meio, é claro; a culpa é sempre delas). Mas voltando no tempo, sem poder precisar o ano e, consequentemente a minha idade, vou relatar a primeira atividade inusitada que acabou me transformando no Vampirão que hoje sou. Ah, quero deixar bem claro também que não sou motivado por estes filmes que estão aí, tipo Crepúsculo, com vampiros bonzinhos e pálidos, ou Vampiras Lésbicas e gritonas. Sô Negão e macho, portanto, um Vampiro de respeito, malvado e bebedor de sangue, uma coisa tipo Bela Lugósi. Bem, voltemos a história. Quando eu era pequeno, sei lá aonde, me lembro de ter acordado no meio da noite com um barulho estranho e uma dor terrível nos dentes. Uma coisa muito estranha. Não comentei com ninguém e aquilo se seguiu por muitos anos, até que veio o primeiro ataque. Era uma noite tranqüila, fria de inverno...bem, isso tudo é balela pois eu acabei de dizer que não lembro exatamente aonde foi, mas pra ficar mais bonitinho, continuamos assim. Uma noite fria de inverno. Silenciosa. Podia-se ouvir a semáforo da esquina quando trocava as cores de amarelo para vermelho, de vermelho para verde, de verde para amarelo, de...
- Porra Diego, o que é isso?
Eu acordei de susto. - Isso o que? Tá louco?
- Essa barulheira toda com a boca. Porra, não consigo dormir.
Tinha finalmente descoberto meus poderes. Meu irmão tinha sido minha primeira vítima. No outro dia, prontamente examinado por minha mãe, que constatou a falta de parte de meus dentes, digo, pedaços, fui diagnosticado com BRUXISMO.
- Quê? Bruxismo?
- Sim. Essa coisa de ranger os dentes enquanto dorme chama-se Bruxismo. Tu vai acabar ficando sem dentes se não resolver logo isso...
- Sei...
Achei o máximo aquilo, e preferi a teoria (elaborada por mim) que eu era na verdade um Bruxo Bruxista, que infernizava a noite de sono de meu irmão que, de certa forma e ás vezes, infernizava o meu dia.
O tempo passou. Eu cresci. Virei um Bruxo Bruxista adulto, e um pouco barrigudinho. Com o tempo, passei a azucrinar outras vítimas, e atormentar as noites de sono das diversas pessoas que infernizavam o meu dia. Pena que não aprendi a andar de vassoura nem transformar as pessoas em sapo. Merda, tinha uma lista enorme. Bem, voltemos a história. Um belo dia, conheci uma menina. Pensei - minha próxima vítima, huhauhauhauha (risada malvada, de Bruxo Bruxista). Mas eu não contava com uma arma poderosa dela. Uma arma mortal para todos os Bruxos Bruxistas. Uma arma capaz de acabar com a gente, e nos transformar numa criatura ainda mais malvada, e horrenda. Nos transformar em VAMPIROS. A menina era DENTISTA. Isso mesmo, uma profissional preparada, treinada para acabar com as atividades Bruxistas, que usa muitas mandingas e tecnologias. E pronto, há três semanas, após algumas seções muito estranhas onde tive que comer massa de modelar (pra mim era isso), recebi uma PLAQUINHA. Ou seja, um troço que coloco nos dentes de cima e que fazem com que eu não raspe os dentes, não os desgaste, não faça mais barulho a noite e, consequentemente, não faça mais vítimas. Saco. Minha vida de Ser Fantástico, poderoso e malvado tinha acabado. O que seria de mim? Passei por um momento muito difícil de aceitação, tanto daquele troço na boca quanto da minha nova realidade. Mas, quando já estava me dando por vencido, numa noite fria e silenciosa, em que se podia escutar de longe a semáforo da esquina trocando do verde para o amarelo, do amarelo para o vermelho..., me transformo num VAMPIRO, sério e malvado. E, no meio da minha própria noite de sono, profunda e tranqüila, lasco uma mordida profunda na minha própria língua.
- Ai, caralho...
Pensei por um momento no que tinha acontecido, mas não demorou muito pra eu entender. Meu corpo e minha mente não sabiam mais viver sem a possibilidade de ter super-poderes do além, de outro mundo, sei lá. E, vitimados e condenados pela Caça Bruxos Bruxistas a viver sem bruxear mais ninguém, aproveitou a nova dentadura de acrílico que envolve os dentes superiores de cima (essa é ótima) para me transformar num Vampiro, um Vampirão, que de tão malvado começa mordendo seu próprio sangue. Na sede de sangue, se auto-mutila para saciar sua necessidade de sangue humano. Não sei como não tinha me dado conta disso antes. Vai ver sou Vampiro há muito tempo. Meus problemas com o alho, com o dia. Hum, se isso for verdade, sou de uma família de Vampiros bem talentosos porque a Dona Shana... bem, deixa pra lá (te poupei Pablinho).
Bem, espero aproveitar esta minha nova atividade fantasmagórica fantástica e fazer novas e muitas vítimas. Acho que já sei por quem vou começar. Enquanto escrevo, agora as 00:46 de segunda-feira, com este troço insuportável na boca, que parece um freio, que faz a gente falar se cuspindo e como se tivesse uma batata na boca, está ao meu lado a tal Caça Bruxos Bruxistas. Mas preciso me cuidar com ela. Hoje tivemos um domingo maravilhoso, mas eu andei meio desconfiado. Depois de um passeio no Brique da Redenção, no Hipódramo e no Parque, ela me levou para almoçar num restaurante no Shooping Barra Sul. Chama-se Apleealgumacoisa. Bem chique, bem caro, enfim, bom. Pedimos os pratos e o meu, uma mistura inusitada de entrecot com camarão, veio coberto por uma camada generosa de... adivinhem... ALHO.
- Tu quer me matar?
- Ai, tinha esquecido de te avisar que a comida aqui tinha bastante alho. Desculpa...
- Sei...
Tava na cara que era uma armadilha. Camarão e entrecot, as duas coisas que mais gosto e juntas. Tava perfeito demais. Quase posso afirmar que foi ela quem sugeriu o prato. Como acabei sobrevivendo, aproveito para relatar minha experiência: entrecot com camarão definitivamente não combina. Mais estranho que isso só o tal de carreteiro com banana do Michael...
Agora ela dorme feliz, despreocupada, aqui ao meu lado. Um sono profundo. Posso escutar o silêncio que a tranqüilidade dela proporciona aos meus ouvidos, e que toma conta do quarto. Nós Vampiros temos ouvidos aguçados, escutamos coisas inimagináveis, coisas que não emitem sons para ouvidos humanos, ainda mais os que dormem...
...Já posso escutar da esquina o som da semáforo trocando de verde para amarelo, amarelo para vermelho... Vai ser uma noite sangrenta, com risadas malvadas e tudo...
Huhauhauhauhauhauahua
OKIDOKI
VLAD, O MALVADO
16.10.09
TRANSILVÂNIALÂNDIA
03 Novembro, 2009
OVELHA NÃO É PRA MATO
OKIDOKI
29 Outubro, 2009
FINAL DE SEMANA MINEIRO
20 Outubro, 2009
ALEGRETE INVADE PORTO ALEGRE






